SECRETÁRIO DE ESTADO APELA O SECTOR PRIVADO A INVESTIR MAIS NA AGRICULTURA
O Secretário de Estado Para as Florestas Eng.º João Manuel Bartolomeu da Cunha, reafirmou na quinta feira 03, em Luanda, no Fórum Económico Brasil-Angola, no âmbito da 17ª Semana do Brasil Angola 2026, realizado pela Associação de Empresário Brasileiros em Angola (AEBRAN), no auditório do Instituto Guimarães Rosa (IGR), que o ambiente de negócios em Angola está cada vez mais favorável aos investimentos privados, nacionais e estrangeiros, particularmente nos sectores agrícola e pecuário.
Ao intervir no Fórum Económico Brasil-Angola, em representação do Ministro da Agricultura e Florestas Engº Isaac Francisco Maria do Anjos, João Cunha fez saber que a intenção do Executivo é acelerar a diversificação da economia nacional e reduzir a dependência directa do sector petrolífero. Ao abordar sobre o tema “AGRONEGÓCIOS-Parcerias no sector agrícola, segurança alimentar, transferência de tecnologia agropecuária e investimento no agronegócio”.
O governante destacou o compromisso do Governo na criação de um ambiente macroeconómico estável e no fornecimento de infra-estruturas essenciais, como vias rodoviárias, energia eléctrica e redes de água. Sobre o potencial produtivo do país, ressaltou que Angola dispõe de mais de 35 milhões de hectares de terra arável, estando apenas em exploração entre 5% e 6% (3 a 4 milhões de hectares), a maioria sob domínio da agricultura familiar. Disse que a meta do Governo para os próximos anos passa por expandir a área cultivada para mais de seis milhões de hectares. Para alcançar este objectivo, o Executivo definiu como prioridade o fomento de cereais e grãos, com realce para o milho, soja, feijão, arroz, massango e massambala. Referiu ainda que, actualmente, a produção nacional de milho ronda os três milhões de toneladas, para uma necessidade estimada em 10 milhões, registando-se um défice de sete milhões de toneladas.
O secretário de Estado apontou ainda a pecuária como sector estratégico, focando o aumento da produção de aves, suínos, caprinos e bovinos para cobrir a procura de proteína animal. No segmento florestal, ressaltou o relançamento da actividade e o fomento de florestas plantadas para a produção de celulose e madeira, além de incentivos à agroindústria e prestação de serviços técnicos ao longo de toda a cadeia de valor. Transferência de tecnologia e vantagens logísticas No domínio da cooperação internacional, João Cunha salientou a parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), voltada para a transferência de tecnologia adaptada ao solo e clima do cerrado angolano, bem como para a formação de quadros locais.
Um exemplo concreto é o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola, que cria condições para a entrada de investimentos privados brasileiros em 2 projectos agrícolas de grande escala. O programa prioriza a produção de grãos e culturas estratégicas, a transferência de tecnologia, a formação de quadros e a criação de emprego, isto demonstra claramente a passagem da cooperação para a coprodução.
O Projecto Terra Lunda, na província da Lunda-Norte, município do Lóvua: 20 mil hectares destinados a produção industrial de milho e feijão, com implementação entre 2027 e 2030, incorporando cerca de 5 mil hectares por ano e um investimento estimado em 83,2 milhões de dólares.
Mais do que um projecto agrícola, o Terra Lunda pretende ser um modelo de desenvolvimento, combinando produção em escala, mecanização, emprego, transformação, integração comunitária e criação de valor.
A cooperação com instituições brasileiras como a CODEVASF, CONAB e EMBRAPA reforça esta visão, com acções concretas no sul de Angola, sobretudo no Cunene, onde a gestão da água e o desenvolvimento da agricultura irrigada são decisivos para aumentar a produtividade.
Com a EMBRAPA, o MINAGRIF avançou em 2025 com um projecto destinado ao fortalecimento das instituições angolanas de investigação agropecuária e florestal, incluindo a formação de 3 investigadores e técnicos nacionais, com um investimento de cerca de 1,94 milhões de dólares.
O objectivo do sector da agricultura não é apenas importar tecnologia, mas criar capacidade científica em Angola, adaptando soluções as nossas condições agroecológicas e colocando a inovação ao serviço do produtor.
A cooperação com a CONAB também trouxe resultados relevantes, desde o intercâmbio técnico em agricultura familiar até a gestão de cadeias produtivas, armazenamento e comercialização.