O Ministério da Agricultura e Florestas, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizou, entre os dias 16 á 19 de fevereiro de 2026, um workshop intensivo de capacitação sobre a gestão da mosca-da-fruta. A iniciativa, inserida no âmbito do projeto STOSAR II, tem como objectivo mitigar perdas económicas, reforçar os sistemas fitossanitários nacionais e impulsionar a competitividade das exportações angolanas.
No acto de abertura, o Chefe de Departamento de Proteção de Plantas Dr. Ribeiro João António, em representação do Diretor Nacional da Agricultura e Pecuária, Eng.º Manuel de Almeida Mateus Dias enfatizou a importância do evento para a economia nacional, com uma produção que superou os 7,2 milhões de toneladas de frutas na campanha 2024/2025, Ribeiro António destacou que o manejo rigoroso da Bactrocera dorsalis é imperativo para garantir o acesso aos mercados internacionais.
Ainda na sua abordagem, fez saber que o marco da implementação do sistema ePHYTO (Certificação Fitossanitária Eletrónica) em Angola, que desde novembro de 2025 permite a integração do País nas redes de comércio da União Europeia, elevando o padrão de exigência e transparência no sector.
O evento integra-se nos esforços regionais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para enfrentar pragas transfronteiriças prioritárias, com destaque para a mosca-das-frutas oriental (Bactrocera dorsalis), responsável por perdas significativas na produção de hortícola, que impões restrições ao comércio internacional.
Sob a orientação do especialista moçambicano Luís Bota, o workshop percorreu os pilares da Gestão Integrada de Pragas (GIP). Após sessões teóricas no Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), o encerramento ocorreu no dia 19 de fevereiro com uma visita técnica à Fazenda Agrolíder (Bengo-Caxito).
No campo, os participantes aplicaram metodologias essenciais para o controle efectivo da praga, incluindo:
• Sanidade do Pomar: A remoção e enterro (a 50 cm de profundidade) de frutos infestados.
• Aplicação de Iscas: Utilização de proteínas hidrolisadas com inseticidas de
baixo impacto.
• Técnicas de Aniquilação de Machos (TAM): Uso de blocos de fibra com paraferromonas para interrupção do ciclo reprodutivo.
• Captura Massiva: Implementação de armadilhas em alta densidade para redução populacional.
• Mapeamento e Rastreabilidade: Início do perfilamento de explorações de banana, abacate e manga via coordenadas GPS.
• Plano Nacional: Elaboração do rascunho do Plano de Acção Nacional contra a Mosca-da-Fruta.
• Vigilância: Estabelecimento de um sistema de dados centralizado para apoiar decisões baseadas em evidências.
O workshop culminou com o início do desenho de um Plano Nacional de Acção contra a Mosca-da-Fruta. A Autoridade Nacional Fitossanitária reafirmou os três desafios prioritários para o ciclo corrente:
1- Unificação do sistema ePHYTO;
2- Finalização do novo Regulamento de Sanidade Vegetal;
3- Massificação da inspecção fitossanitária em todo o Território Nacional.
Com estas acções, o Executivo reafirma o seu compromisso em transformar o sector frutícola num pilar de exportação sustentável, garantindo que o produto angolano seja reconhecido pela sua sanidade e qualidade nos mercados internacionais.
Com o draft do Plano de Acção Nacional contra a Mosca-da-Fruta agora em desenvolvimento, Angola dá um passo firme para proteger a fruticultura com promovendo vista a garantir a exportação com qualidade exigida e aceitável nos mercados internacionais e diversificar a economia nacional.