• DISCURSO NA INTEGRA DO MINISTRO DE ESTADO PARA COORDENAÇÃO ECONÓMICA JOSÉ DE LIMA MASSANO POR OCASIÃO DA ABERTURA DO ANO AGRÍCOLA


    Mongua, Cunene, 25/10/26 - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, apelou, este sábado, aos jovens angolanos para apostarem na agricultura e na pecuária, sectores que oferecem oportunidades concretas de emprego, empreendedorismo e criação de rendimento, contribuindo para o reforço da segurança alimentar do país.

    O apelo foi feito na Comuna da Mongua, Município do Cuanhama, Província do Cunene, durante a abertura oficial do Ano Agrícola 2026/2027, que ficou marcada pela entrega de títulos de concessão de terrenos a jovens que escolheram a agricultura para construir o seu futuro, numa área de 150 hectares já parcelados.

    “Encorajamos a vossa opção e que mais jovens vejam em toda a cadeia de valor da agricultura e pecuária um espaço de oportunidades concretas para a construção de um futuro promissor”, afirmou o governante, ao defender uma actividade agrícola capaz de acolher novas tecnologias, inovação e profissionais qualificados.

    Produção nacional em crescimento
    José de Lima Massano destacou os resultados da campanha agrícola 2025/2026, que registou um crescimento global de 7,1%, com a produção a atingir cerca de 33 milhões de toneladas, o melhor resultado alcançado até ao momento.

    As raízes e os tubérculos registaram um crescimento de 9,1%, para 17,6 milhões de toneladas, das quais cerca de 14,5 milhões correspondem à mandioca. A produção de frutas aumentou 7,7%, para 7,8 milhões de toneladas, impulsionada sobretudo pela banana, manga e ananás.

    O desempenho do sector contribuiu igualmente para a redução da dependência externa, referindo que entre 2017 e 2025, as importações de bens alimentares diminuíram 31,1%, reflectindo o aumento da oferta nacional e a maior presença de produtos angolanos nos mercados.

    Apesar dos progressos, o ministro de Estado considerou necessário prosseguir os esforços para assegurar uma produção regular e suficiente, capaz de responder às necessidades alimentares da população.

    Executivo reforça apoio aos produtores

    Para a campanha agrícola agora iniciada, o Executivo prevê dar continuidade às medidas de apoio às famílias agricultoras, cooperativas e produtores empresariais.

    Na campanha anterior, cerca de 1,246 milhões de famílias beneficiaram de assistência no âmbito dos programas de extensão e desenvolvimento rural. Para o novo ciclo agrícola, o país dispõe de aproximadamente 173 mil toneladas de fertilizantes, tendo todas as províncias recebido quantidades superiores às dos anos anteriores, sublinhou.

    Acrescentou que o acesso ao crédito continuará a ser apoiado pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e pelo mecanismo de garantias públicas, através do Fundo de Garantia de Crédito.

    No Cunene, o governante destacou ainda o potencial das infra-estruturas hídricas do Cafu, Ndué e Calucuve para ampliar as áreas irrigadas, melhorar as condições de produção e reforçar a articulação entre a agricultura e a pecuária, actividades com forte relevância económica e social na província.

    Compromisso com a produção nacional

    O ministro de Estado para a Coordenação Económica reafirmou que as políticas de protecção e estímulo à produção nacional serão mantidas, apelando aos produtores empresariais, agregadores, cooperativas e industriais do sector alimentar para celebrarem acordos de compra futura com os agricultores.

    A iniciativa deverá abranger, em particular, as fileiras do milho, arroz, trigo, feijão, açúcar e carne de frango, com o objectivo de criar mercados mais previsíveis para a produção nacional e incentivar o investimento e o aumento da oferta interna.

    José de Lima Massano defendeu que a consolidação destes resultados exige mais terra cultivada, maior produtividade, melhores rendimentos para as famílias e empresas agrícolas mais fortes.

    O governante manifestou a expectativa de que a campanha 2026/2027 produza novos avanços na segurança alimentar e nutricional, assentes no trabalho, na organização e na confiança na capacidade de Angola produzir e prosperar.