O Ministério da Agricultura e Florestas, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizaram no dia 12 de março de 2026, o acto comemorativo alusivo ao Ano Internacional da Mulher Agricultora (2026). Sob o lema «Investir nas mulheres do sector agrícola para reduzir as desigualdades de género e fortalecer a segurança alimentar e os meios de subsistência resilientes», o evento que está também associado as festividades do DIA INTERNACIONAL DA MULHER, visa reforçar a necessidade de uma acção colectiva para transformar o papel das mulheres na cadeia de valor agroalimentar nacional.
No acto de abertura, o Representante da FAO em Angola, Jean Baptiste Bahama, frisou que “empoderar as mulheres agricultoras não é apenas um lema, mas um compromisso de longo prazo no centro da missão da organização”. Durante a sua abordagem, enfatizou que 2026 é o Ano Internacional da Mulher Agricultora para a FAO, e, que é uma oportunidade global para reconhecer que por trás de cada colheita que abastece os mercados angolanos, reside a resiliência e o conhecimento feminino.
O Representante reiterou que a visão dos "Quatro Melhores" (Melhor Produção, Melhor Nutrição, Melhor Ambiente e uma Vida Melhor), representam a garantia de apoio técnico que continuará a focar-se na eliminação das barreiras que limitem o potencial das produtoras rurais.
Dados globais da FAO, referentes a 2025, revelam que cerca de 76% das mulheres trabalhadoras na África Subsaariana estão integradas em sis-temas agroalimentares. Em Angola, as mulheres representam uma força decisiva, actuando desde a produção primária até à inovação e comércio. Contudo, o Executivo e os parceiros internacionais reconhecem que desi-gualdades estruturais ainda limitam o potencial de rendimento e a parti-cipação destas mulheres em processos políticos e institucionais.
Sobre a participação técnica, as especialistas da FAO apresentaram o en-quadramento estratégico e o diagnóstico do sector, onde destacaram que as mulheres representam uma parcela significativa dos pequenos agricul-tores. Apesar do impacto, persistem desigualdades estruturais globalmen-te, as mulheres ganham apenas 24% a menos em relação aos homens de-vido ao acesso limitado a terras, créditos e tecnologia, embora a força de trabalho física feminina no campo esteja em torno de 70 a 80%, o acesso das mulheres à terra ainda é de apenas 70% comparativamente aos ho-mens.
A iniciativa visa amplificar as vozes das mulheres e promover acções coordenadas para reduzir as disparidades de género. Entre os objectivos específicos, destacam-se:
• Diálogo e Políticas: Facilitar o debate entre mulheres produtoras, Governo e parceiros sobre prioridades programáticas.
• Formação Prática e Escolarização: Continuar a apostar na formação formal e em metodologias práticas de processamento através das escolas de campo.
• Parcerias com o Sector Privado: Envolver os sectores financei-ros, do turismo e do ambiente para premiar e incentivar o mérito feminino.
• Incentivo ao Sucesso: A criação de prémios de reconhecimento para estimular a liderança e o envolvimento das mulheres jovens no agronegócio.
Inovação na Comunicação: Aumentar o reconhecimento público das contribuições femininas através de campanhas de media e do novo podcast "A Voz Dela, a Fazenda Dela, o Futuro Dela". o Podcast foi uti-lizado como uma ferramenta de captura de experiências, foram regista-das frases e reflexões que marcaram o ambiente, transformando o teste-munho individual em consciência colectiva. permitiu que a liderança fe-minina fosse sentida em cada relato, provando que o futuro da nossa agricultura tem voz, rosto e uma determinação de mulheres.
O certame serviu de palco para o painel de discussão sob o tema “Mulheres Transformando os Sistemas Agroalimentares: Desafios, Inovação e portunidades”.
O debate focou-se na necessidade de transitar de uma agricultura de subsistência para uma indústria metodizada, digitali-zada e resiliente, onde a mulher ocupe o centro das decisões estratégicas.
O evento reuniu um público diversificado, integrando mulheres agricultoras, organizações da sociedade civil e agências da ONU. A rede de parceiros institucionais inclui o Governo de Angola (sectores da Agricultura, Pescas e etc) e instituições de investigação, assegurando que o investimento na próxima geração de ,mulheres na agricultura seja uma prioridade nacional.
A celebração culminou com um apelo à transformação directa do ambi-ente da mulher rural. Com a integração da tecnologia, o reforço das polí-ticas de inclusão e a garantia de direitos de adesão as terras.